5 de março de 2009

Ternura!...


Ternura!...

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira

5 comentários:

Mirse disse...

Lindíssimo!
Do início ao fim a ternura invade a alma de quem lê.
Parabéns!!!

Abraços

Mirze

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Mil perdões, não fiz por mal. Sobre o seu comentário, nunca vi uma pessoa tão detalhista na forma de analisar palavras. Seu comentário é rico e mostra muito da sua pessoa nele. E esse seu poema é de um bom gosto ímpar.

Parabéns, querido.

=]

Rebeca

-

gabyshiffer disse...

Olá meu amigo,
Ternura entre os lençõis...
Ternura vestida para enfrentar aquela gente que anda rindo...
Pena que as pessoas de dispam tão facilmente da ternura...
pois gentileza gera gentileza
Lindas palavras
Perfeito seu post
Boa noite pra vc
Beijos

manzas disse...

Sublimes versos escapam das almas dos poetas
Viajando até ao fundo dos céus como balões …
Suspensos ficam no tecto brilhando poesias inquietas
Reflectindo olhos orvalhados em prados de emoções

Dedicado a todos
Os poetas e poetisas
Deste mundo,
Os que já adormeceram,
E aos outros
Que ainda nem sono têm...

Bem hajam!

Uma boa sexta-feira e um melhor fim-de-semana…

O eterno abraço…

-MANZAS-

parapeito disse...

Gosto muito de David Mourão Ferreira...
penso que tinha um jeito sublime de retratar a mulher...
..deixo o final do poema Ilha :Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias .
*
Um bom fim de semana**