8 de maio de 2012

Ser Poeta


Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

4 comentários:

Luís Coelho disse...

Este soneto de Florbela Espanca é um dos que muito gosto.
Parece-me que aqui ela transforma e eleva o amor ao seu expoente máximo.

"É condensar o mundo num só grito!"

O Cidadão abt disse...

Florbela Espanca.

Afirmaria seguramente que esta poetisa é uma das autoras preferidas cá da Companheira, com a qual em parte também se identifica.
Algo de intenso.

Lê, relê e trelê!

Graça Pereira disse...

Uma mulher que amou, sofreu mas..VIVEU!
Não posso ir a casa de todos os amigos mas...vou à daqueles da primeira hora e que me são queridos, como tu: Dá um pulinho ao meu blogue.
Beijo.
Graça

Lola disse...

Adorei ouvir "E o povo, pá". Foi muito gostoso.
Obrigada por tua visita e pelo recado carinhoso.

um grande abraço

Lola