5 de fevereiro de 2010

Mãe!...


Mãe

Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga

5 comentários:

Layara disse...

escolha terna...

sim Ela sempre olhará pelos filhos em qualquer distancia em qualquer tempo, mesmo além desse tempo.

beijos de Luz!

angela disse...

Triste poema de enfrentamento com o vazio e a ausencia que a morte nos dá.
O mesmo corpo semm nada do que se ama presente.
beijos

"re" disse...

Meu amigo...

As saudades que se sentem de alguem que ja partiu, são como uma amarra, que nos envolve com o seu nó e que nos vai apertando a alma devagarinho....Os dias passam, mas a magoa da ausencia continua presente e dia apos dia, vamos chorando as mesmas lagrimas, sentindo a mesma dor, o mesmo silencio surdo... Mas, como diz a canção: ..." I've still got your face, painted on my heart, srawled upon my sol, etched upon my memory "... Porque as lembranças, são como a lua, por mais ténue que esteja jamais se apagara...
Mae é a unica rosa que nao perde a beleza nem o perfume mesmo não podendo admirá-las ou sentir o perfume.
Não pude conter as lágrimas, quando se fala de Mãe, me entristece demais.
É uma bela homenagem, bela escolha, belíssimo poema.

Grazie, baci

Maria L. Bózoli disse...

Deixou-me entrar em tua vida,
me pegou de surpresa, confesso!
O que mais achei bonito nisso,
foi o convite que fez naquele dia...
Não disse nada, lançou-me um
olhar carinhoso e um largo sorriso.


BOM DOMINGO! BEIJOS!!

Parapeito disse...

Um belo poema de Torga..que ele dedicou á mãe que tanto amava...
O verdadeiro amor de uma mãe...é mais forte que a morte...fica sempre colado á uma pessoa.
Brisas mansas para ti****