6 de abril de 2009

Realidade!..


Realidade!..

Em ti o meu olhar fez-se alvorada,
E a minha voz fez-se gorjeio de ninho,
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura pálida do linho.

Embriagou-me o teu beijo como um vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada,
E a minha cabeleira desatada
Pôs a teus pés a sombra dum caminho.

Minhas pálpebras são cor de verbena,
Eu tenho os olhos garços, sou morena,
E para te encontrar foi que eu nasci...

Tens sido vida fora o meu desejo,
E agora, que te falo, que te vejo,
Não sei se te encontrei, se te perdi...

Florbela Espanca

2 comentários:

Seline disse...

Que poema lindo! Belíssima escolha.
Poucas souberam como ela exprimir o amor a dor...
Beijo alma linda

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

"E para te encontrar foi que eu nasci"

Florbela já sabia das coisas e muito mais sobre o amor. É, querido amigo, suas palavras nos enche o peito de alegria. Não existe coisa mais gostosa que essa troca de emoções verdadeiras. Sinto que sai de ti a nobreza das palavras e suas variantes. É, Jota Cê e eu, tentamos deixar o que sentimos bem nu aos olhos de quem nos lê. Não procuramos palavras quando sentimos a emoção bem descarada. O que vc vê na nossa página, são dois adultos, que por mais joviais que sejam, sabem amar o amor com carinho, com tesão e sem razão. Quem procura a razão pra aquilo que sente, não sabe amar aquilo que conquistou.

Que sua semana seja maravilhosa e que suas palavras não faltem nunca para as bandas de cá.

=]

Rebeca

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