3 de março de 2009

Soneto de Mal Amar!...


Soneto de Mal Amar

Invento-te recordo-te distorço
a tua imagem mal e bem amada
sou apenas a forja em que me forço
a fazer das palavras tudo ou nada.

A palavra desejo incendiada
lambendo a trave mestra do teu corpo
a palavra ciúme atormentada
a provar-me que ainda não estou morto.

E as coisas que eu não disse? Que não digo:
Meu terraço de ausência meu castigo
meu pântano de rosas afogadas.

Por ti me reconheço e contradigo
chão das palavras mágoa joio e trigo
apenas por ternura levedadas.

Ary dos Santos

3 comentários:

Parapeito disse...

Bommmm diaaaa :)
E que bom que é "fornadas" de ternura para nos aquecer e adoçar a vida :)
Gosto muito do Ary...foi atraves de certos fados que tinham a letra dele que comecei a conhece-lo
...Que bom quando se tem alguem que por nós se reconhece e contradiz....vou ser ruim ... até parece um cadito ridículo :))

Um abraço*

Aqui - Ali - Acolá disse...

Olá Parapeito bom dia para ti também.

É verdade o inesquecível Ary que nos deixou tanta coisa boa sem que nunca o passamos esquecer.

Não só os fados com as letras dele como também os próprios poemas ficam na história de uma pessoa que muita coisa boa nos deixou.

Nada pode ser ridículo quando a interpretação das coisas for real..

Bjinhos, e dia feliz sem ser ruim!..

manuel marques disse...

Ary dos Santos ,grande Homem,grande poeta.