13 de fevereiro de 2009

Ensaio sobre Poemas - EU..


Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou...

Autor: Florbela Espanca

5 comentários:

manuel marques disse...

"...Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
Sem nos dar braços para os alcançar?!..."

Florbela Espanca

Parapeito disse...

:) Somos muitas vezes a visão de alguem que nos sonhou...
Ás vezes...esses sonhos...acabam pesadelos...

Nao questionando o valor de Espanca....não é das minhas preferidas....muito depressiva....muito queixosa...embora este seja um dos que ate nem desgosto.

Um abraço....sem ser ruim :P

Buxexinhas disse...

Para mim Florbela Espanca e Eugénio de Andrade são poeta de excepção... Escrevem com alma e fazem-nos sentir cada palavra intensamente! Este poema é lindo... e transparece muito do que somos ou sentimos muitas vezes!
Parabens pela escolha! bjo

Aqui - Ali - Acolá disse...

Este Poema quanto a mim, tem nele um sentido muito forte de alguém que parece andar num sonho incompreendido!..

Aqui:

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…

Esta parte do Poema acho-a brutal, tem uma definição tão sublime, que nos agarra ao sentido de vida em que se pode definir como uma pessoa que é acusada daquilo que não é, mas que é imcompreendida por uma humanidade que não a compreende, mas que chora por isso sem o saber embora não saiba porquê!..

Forte, muito forte esta parte que define muita coisa..

Claro que nem toda a gente poderá sentir assim talvez, mas as palavras estão lá, e de que maneira, reflectindo aquilo que somos e não somos..

rosa dourada/ondina azul disse...

Um Poema magnífico de Florbela,
uma das minhas Poetisas preferidas!

Gostei!!!

Bj
Boa semana,