Esta terça-feira, a sonda da NASA vai estar mais perto do que nunca do
planeta anão para descobrir um mundo nunca antes explorado. O ponto de
aproximação máximo é atingido depois de nove anos de viagem.

Há 85 anos que sabemos da existência de Plutão e neste período planeta
anão ainda não completou uma volta completa ao redor do sol. A
informação que tem sido recolhida ao longo dos anos tem dado azo a
muitas especulações e muito poucas certezas. Mas isso vai mudar já esta
terça-feira.
Às 12:49:58, a sonda New Horizons da NASA vai
ficar a 12.874 quilómetros de Plutão. Pode parecer muito, mas uma sonda
colocada à mesma distância do planeta Terra permitiria ver as pontes de
Manhattan, por exemplo. Esta aproximação inédita promete começar a
desvendar os mistérios que podem esconder o gelo do planeta anão, a sua
atmosfera nitrogenada ou as misteriosas manchas escuras que a New
Horizons já registou na aproximação a Plutão.
A missão New
Horizons foi definida a 15 anos. Já passaram nove, que foram usados para
percorrer os três mil milhões de milhas (4.828.032.000 quilómetros)
através do sistema solar. Quando o New Horizons foi lançado, Plutão
ainda era considerado planeta, estatuto que perdeu em 2006 para se
tornar planeta anão, uma classificação que não é consensual entre a
comunidade científica. Alan Stern, responsável pela missão, está entre
os que reclamam uma anulação da reclassificação feita em 2006.
Uma corrida contra o tempo
Nas últimas décadas o desejo de saber mais sobre Plutão levou os
cientistas a proporem várias missões mas todas foram recusadas,
maioritariamente por razões orçamentais. E o tempo estava começar a
esgotar-se. Plutão desloca-se numa orbita oval, que o faz afastar-se
cada vez mais longe do sol - a tal ponto que a sua atmosfera pode
congelar, particularidade que limitava no tempo a possibilidade de
avançar com uma missão exploratória nos próximos anos.
Se a
NASA não tivesse conseguido reunir condições para avançar com a missão
New Horizons, uma próxima chance de explorar Plutão só voltaria a
aparecer em 2200.
Para além disso, ainda há a questão de
Júpiter. Se estivesse bem posicionado, os astrónomos poderiam usar o
gigante gasoso como uma forma de acelerar a viagem a Plutão. Sem uma
assistência gravitacional, a viagem de nove anos duraria 50% mais tempo.
A missão acabou por ser fundada em 2002 de forma a tirar
partido do posicionamento de Jupiter. Em janeiro de 2006 a New Horizons
partiu em direção ao desconhecido.
Plutão de perto
Se tudo correr bem, os dados recolhidos no planeta anão vão começar a
ser enviados para Terra o quanto antes. Para isso, vão ter de atravessar
um grande vazio que vai demorar mais de quatro horas por cada
transmissão. Assim, vai ser necessário mais de um ano para que a sonda
envie todas as informações para o planeta Terra - a velocidade de
downlink é de apenas 2 kilobits por segundo e, para além disso, a New
Horizons ainda tem de dividir a infraestrutura de comunicações que lhe
dá suporte em Terra com a de outra missão da agência espacial
norte-americana.
A aproximação da sonda a Plutão já foi
possível recolher as primeiras imagens e fazer um close-up de Plutão,
com recurso à Long Range Reconnaissance Imager (LORRI), que será
aperfeiçoado agora que a sonda estará mais perto do que nunca do planeta
anão. Outra câmara, a Ralph, vai colorir as imagens recolhidas da
superfície do planeta anão - que é castanho avermelhado, não azul
acinzentado como os livros escolares têm ensinado durante décadas.
Uma das grandes curiosidades dos cientistas em relação a Plutão é
básica: o tamanho. Acredita-se que o seu diâmetro não deve ter mais de
20 quilómetros, mas não há certezas. E isso mostra o quão pouco os
cientistas sabem sobre Plutão, numa era pré-New Horizons.
Descubra o planeta com a nova app da NASA
A sonda da agência espacial vai entrar na sua fase mais ocupada esta
terça-feira, 14 de julho de 2015, e o leitor pode acompanhar o processo
através de uma aplicação desenvolvida pela NASA, a Eyes on Pluto.
A app integra o programa da agência espacial, Eyes,
que permite ao utilizador explorar o espaço através de simulações
criadas a partir de dados reais recolhidos pela nave espacial da NASA.
Quando colocada no modo "ao vivo", a aplicação permite ao utilizador ver
a New Horizons a aproximar-se de Plutão e das suas luas.
A aplicação está disponível gratuitamente
para MAC's e PC's. Também pode ver na galeria algumas das imagens que a
agência já recolheu de Plutão e uma imagem do planeta Terra, à
distância que a New Horizons irá ficar do planeta anão. by - Sapotek=== O ===
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