2 de setembro de 2009

Amores, Amores!..


Amores, Amores

Não sou eu tão tola
Que caia em casar;
Mulher não é rola
Que tenha um só par:
Eu tenho um moreno,
Tenho um de outra cor,
Tenho um mais pequeno,
Tenho outro maior.

Que mal faz um beijo,
Se apenas o dou,
Desfaz-se-me o pejo,
E o gosto ficou?
Um deles por graça
Deu-me um, e, depois,
Gostei da chalaça,
Paguei-lhe com dois.

Abraços, abraços,
Que mal nos farão?
Se Deus me deu braços,
Foi essa a razão:
Um dia que o alto
Me vinha abraçar,
Fiquei-lhe de um salto
Suspensa no ar.

Vivendo e gozando,
Que a morte é fatal,
E a rosa em murchando
Não vale um real:
Eu sou muito amada,
E há muito que sei
Que Deus não fez nada
Sem ser para quê.

Amores, amores,
Deixá-los dizer;
Se Deus me deu flores,
Foi para as colher:
Eu tenho um moreno,
Tenho um de outra cor,
Tenho um mais pequeno,
Tenho outro maior.

João de Deus

1 de setembro de 2009

Minha alma sente o que o Coração bate!..


Minha alma sente o que o Coração bate.

Olho o Sol poente na imensidão do mar
Minha alma sente a chama de um calor
Ardente de um coração batendo ritmado
Aqui, neste lugar pairo minhas máguas
Onde o Sol me fala ao coração dizendo
Porque bates tu tão fortemente
Acalma a ânsia desse teu fulgor
É daí que nasce o amor
Amor pobre e amor rico
Por quem o possa definir assim
Alenta tua alma ao mar infinito
Que na sua plenitude tão bela
Dará esperança ao corpo nela sentida
Calma e docemente recebe
Deste Sol e deste Mar
Toda a beleza que teus olhos vêem
No infinito olhar
Sentada à beira-mar
Um amor que o teu coração clama
E a tua alma sente.

By - Aqui - Ali - Acolá

O Amor e o Tempo!..


O Amor e o Tempo

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.

— «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
— «Porque voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» — Nesse momento,

Volta-se o Amor e diz com azedume:
— «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!

António Feijó