4 de agosto de 2009

Devo-te!..


Devo-te!..

Devo-te tanto como um pássaro
deve o seu voo à lavada
planície do céu.

Devo-te a forma
novíssima de olhar
teu corpo onde às vezes
desce o pudor o silêncio
de uma pálpebra mais nada.

Devo-te o ritmo
de peixe na palavra,
a genesíaca, doce
violência dos sentidos;
esta tinta de sol
sobre o papel de silêncio
das coisas - estes versos
doces, curtos, de abelhas
transportando o pólen
levíssimo do dia;
estas formigas na sombra
da própria pressa e entrando
todas em fila no tempo:
com uma pergunta frágil
nas antenas, um recado invisível, o peso
que as deixa ser e esquece;
e a tua voz que compunha
uma casa, uma rosa
a toda a volta - ó meu amor vieste
rasgar um sol das minhas mãos!

Vítor Matos e Sá

3 de agosto de 2009

Mar, doce Mar!...


Mar, doce Mar!...


Mar que banhas a areia tão fina

Que meus pés nela deslizam

Sentindo o fresco da manhã

No sal que fica em mim

Deste mar tão belo e puro

Que a natureza conserva

Dia a dia, noite a noite

Mar de conquistas, de amor

Mar de amores de sonhos belos

Que à noite provam teu sabor

Nas ondas de um grande amor

Te esperando na areia

Com ansiedade e fervor

Eis que tu mar és a beleza

O fascínio dos corações

Dos amantes que te amam

E em ti deixam paixões

By Aqui-Ali-Acolá

2 de agosto de 2009

Eu e Tu!..


Eu e Tu

Dois! Eu e Tu, num ser indispensável! Como
Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia,
Aspiram a formar um todo, — em cada assomo
A nossa aspiração mais violenta se ateia...

Como a onda e o vento, a Lua e a noite, o orvalho
[e a selva
— O vento erguendo a vaga, o luar doirando a
[noite,
Ou o orvalho inundando as verduras da relva —
Cheio de ti, meu ser de eflúvios impregnou-te!

Como o lilás e a terra onde nasce e floresce,
O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,
O vinho e a sede, o vinho onde tudo se esquece,
— Nós dois, de amor enchendo a noite do degredo,

Como partes dum todo, em amplexos supremos
Fundindo os corações no ardor que nos inflama,
Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos,
Como se eu fosse o lume e tu fosses a chama...

António Feijó